Valeu a pena!
Se Jesus não determina nossa agenda, nossos relacionamentos, nosso
dinheiro e nossas decisões, talvez ele seja importante para nós — mas ainda
não é o nosso maior tesouro.
Quando estamos começando algum projeto, ou estamos começando algo novo, por vezes nos perguntamos: por que estamos fazendo isso? Será que isso vale a pena? Vamos analisar alguns exemplos: – Começo de uma dieta;
– Um novo negócio;
– Um curso;
– Um financiamento de longo prazo;
– Uma corrida longa;
– Leitura de um livro com muitas páginas.
Quem já correu uma maratona sabe que existem momentos em que a vontade de parar é enorme. No começo, tudo parece favorável. Estamos animados, o corpo responde bem e a linha de chegada parece uma possibilidade concreta. Mas os quilômetros passam, o cansaço aumenta, as pernas começam a reclamar e, em determinado momento, surge uma pergunta: por que estou fazendo isso?
Durante a corrida, na hora do cansaço é possível que o corredor diga que não vale a pena, se pergunte porque está fazendo isso e esteja prestes a desistir. Mas quando ele cruza a linha de chegada, recebe sua medalha e olha para trás, percebe que cada quilômetro fez parte daquela conquista.
Há perguntas que não devem ser respondidas no meio da caminhada. Elas precisam da perspectiva da chegada. Na vida cristã também é assim. Nós ainda não chegamos ao final, e por vezes nos perguntamos se agora, que estamos no meio do caminho, vale a pena. Para responder a essa pergunta vamos conhecer a igreja de Esmirna, uma comunidade que enfrentava pobreza, perseguição e sofrimento. Surpreendentemente, essa igreja não recebe nenhuma repreensão de Jesus. Ela recebe palavras de encorajamento e uma promessa extraordinária.
Esmirna nos ensina que o valor de uma vida com Jesus não pode ser medido apenas pelas circunstâncias do presente, mas pela esperança da eternidade.
1. VALEU A PENA PORQUE JESUS NOS CONHECE E NOS SUSTENTA (Apocalipse 2.8–9)
“Escreva esta carta ao anjo da igreja em Esmirna. Esta é a mensagem daquele que é o Primeiro e o Último, que esteve morto mas agora vive: “Conheço suas aflições e sua pobreza, mas você é rico. Sei da blasfêmia dos que se opõem a você. Eles se dizem judeus, mas não são, pois a sinagoga deles pertence a Satanás.” (Apocalipse 2:8-9)
Jesus se apresenta como “o Primeiro e o Último, que esteve morto, mas agora vive” mostrando que Ele é o Senhor da história é também aquele que venceu a morte.
Esmirna era uma cidade importante e próspera do mundo romano. Entretanto, a comunidade cristã enfrentava uma realidade bastante diferente. Seus membros sofriam oposição, dificuldades financeiras e pressões por causa da fé. Aos olhos daquela sociedade, eram pessoas sem grande importância. Mas Jesus enxergava algo que ninguém mais conseguia perceber.
Jesus conhecia as aflições daqueles irmãos. A palavra grega utilizada para aflições é thlipsis (θλῖψις), que transmite a ideia de pressão, aperto ou tribulação intensa. Não se tratava de pequenos inconvenientes, mas de sofrimento verdadeiro. Aqueles cristãos enfrentavam circunstâncias que poderiam levá-los a desistir da fé. E Jesus conhecia cada uma delas.
Observe que Ele não começa prometendo resolver imediatamente todos os problemas. Primeiro, lembra à igreja que conhece sua realidade. Isso é importante porque, muitas vezes, confundimos a presença de Deus com a ausência de dificuldades. Quando tudo vai bem, temos facilidade para reconhecer sua bondade. Mas, quando enfrentamos perdas e decepções, começamos a questionar se Ele realmente está conosco. A carta a Esmirna nos ensina que o sofrimento não significa abandono. O mesmo Jesus que venceu a morte acompanha aqueles que enfrentam as dificuldades da vida.
Existe ainda outra declaração surpreendente. Jesus reconhece a pobreza daquela igreja, mas afirma que ela é rica. Isso revela uma diferença fundamental entre os critérios humanos e os critérios divinos. Para o mundo, riqueza está associada principalmente ao dinheiro, às propriedades e às conquistas. Para Jesus, a verdadeira riqueza está relacionada àquilo que possuímos nele.
David Guzik, em seu comentário sobre Apocalipse 2, destaca que a igreja de Esmirna não recebeu nenhuma repreensão de Jesus, apesar de sua condição material. Ao contrário, recebeu o reconhecimento de sua riqueza espiritual.
Essa verdade precisa orientar nossa maneira de viver. Podemos perder recursos, oportunidades e reconhecimento, mas nada disso é capaz de retirar de nós aquilo que recebemos em Cristo. Nossa identidade não depende do que acumulamos, mas daquele a quem pertencemos.
Talvez você esteja enfrentando uma situação que nunca imaginou viver. Talvez algumas coisas tenham acontecido de maneira completamente diferente daquilo que planejou. A mensagem de Esmirna é que Jesus conhece sua história. Ele sabe das lutas que ninguém vê, das orações feitas em silêncio e das decisões difíceis que você precisou tomar.
Vale a pena seguir Jesus porque, mesmo quando não compreendemos tudo o que acontece, sabemos que nossa vida permanece nas mãos daquele que venceu a morte.
2. VALEU A PENA PORQUE A FIDELIDADE É MAIS IMPORTANTE QUE O CONFORTO (Apocalipse 2.10)
“Não tenha medo do que está prestes a sofrer. O diabo lançará alguns de vocês na prisão a fim de prová-los, e terão aflições por dez dias. Mas, se você permanecer fiel mesmo diante da morte, eu lhe darei a coroa da vida.”
Jesus agora anuncia que a igreja ainda enfrentaria sofrimento. Alguns cristãos seriam presos, haveria um período de tribulação e sua fé seria colocada à prova.
É importante perceber que Jesus não promete impedir todas essas situações. Ele não diz que, por serem fiéis, aqueles cristãos estariam livres de problemas. Pelo contrário, prepara a igreja para enfrentar dificuldades e a encoraja a permanecer firme.
Aqui encontramos uma lição essencial: a fidelidade cristã não depende de circunstâncias favoráveis. Temos facilidade para servir a Deus quando tudo acontece conforme nossos planos. É mais simples demonstrar confiança quando estamos saudáveis, quando a família está bem, quando temos segurança financeira e quando nossos projetos avançam. Mas a fidelidade verdadeira também se manifesta quando as circunstâncias são contrárias.
A palavra grega pistos (πιστός), traduzida como fiel, descreve alguém confiável, leal e constante. É essa característica que Jesus espera de seus discípulos.
Ele não exige que a igreja de Esmirna se torne a maior da região, que conquiste influência política ou que alcance prosperidade material. O chamado é para permanecer fiel.
Isso nos leva a uma pergunta muito prática: o que significa permanecer fiel a Jesus em nossa realidade? Para alguns, significa preservar a integridade quando uma oportunidade financeira exige desonestidade. Para outros, significa continuar investindo no casamento quando surgem dificuldades. Pode significar educar os filhos nos caminhos do Senhor, mesmo diante das pressões da sociedade. Pode ser a decisão de continuar servindo na igreja, apesar do cansaço ou da falta de reconhecimento.
A fidelidade não se manifesta apenas nas grandes decisões. Ela é construída diariamente, nas escolhas aparentemente pequenas.
David Guzik observa que a promessa feita à igreja de Esmirna não foi a ausência de sofrimento, mas a coroa da vida para aqueles que permanecessem fiéis. Essa distinção é fundamental. Jesus não estava oferecendo uma vida confortável, mas uma esperança capaz de sustentar seus seguidores mesmo nas circunstâncias mais difíceis.
Não devemos procurar sofrimento nem imaginar que toda dificuldade seja resultado direto da vontade de Deus. Entretanto, precisamos compreender que a obediência a Cristo nem sempre será o caminho mais fácil. Há momentos em que permanecer fiel custa alguma coisa. Pode custar oportunidades, popularidade, vantagens e até relacionamentos. Mas a pergunta que precisamos fazer é se estamos dispostos a trocar nossa fidelidade por aquilo que é temporário.
Durante esta série, fomos confrontados com diferentes aspectos da nossa vida espiritual. E todos eles nos conduzem ao mesmo princípio: seguir Jesus significa reconhecer que Ele vale mais do que aquilo que podemos ganhar ou perder neste mundo.
É por isso que a fidelidade precisa ser mais importante do que o conforto. O conforto depende das circunstâncias. A fidelidade depende do compromisso que temos com Cristo. E uma vida dedicada a Jesus sempre encontrará razões para permanecer firme, mesmo quando o caminho se tornar difícil.
3. VALEU A PENA PORQUE A NOSSA HISTÓRIA TERMINA EM VITÓRIA (Apocalipse 2.10–11)
“Não tenha medo do que está prestes a sofrer. O diabo lançará alguns de vocês na prisão a fim de prová-los, e terão aflições por dez dias. Mas, se você permanecer fiel mesmo diante da morte, eu lhe darei a coroa da vida. “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Quem for vitorioso não sofrerá o dano da segunda morte.”
A mensagem de Jesus termina com uma promessa extraordinária: aqueles que permanecerem fiéis receberão a coroa da vida e não sofrerão o dano da segunda morte.
Aqui encontramos a resposta definitiva à pergunta que deu origem à nossa série.
A palavra grega utilizada para coroa é stephanos (στέφανος). No mundo antigo, ela era utilizada para designar a coroa ou grinalda recebida por um vencedor, especialmente nas competições atléticas. Era um símbolo de conquista, reconhecimento e vitória.
Essa imagem certamente seria compreendida pelos cristãos de Esmirna. Eles viviam em uma sociedade na qual as competições e as homenagens públicas tinham grande importância. Entretanto, Jesus lhes apresenta uma recompensa muito superior a qualquer reconhecimento humano.
Os vencedores das competições recebiam coroas feitas de folhas e ramos, coroas que, com o passar do tempo, se deterioravam. Jesus promete a coroa da vida, uma recompensa que aponta para a eternidade.
O comentarista bíblico Robert H. Mounce, em The Book of Revelation, relaciona essa promessa à vitória final daqueles que pertencem a Cristo. O sofrimento presente não representa o fim da história, porque a esperança cristã está fundamentada na vida que Jesus concede.
É importante compreender que essa promessa não significa que conquistamos a salvação por nossos esforços. A vida eterna é um presente da graça de Deus, recebido pela fé em Jesus Cristo. A fidelidade é a expressão de uma vida transformada por essa graça.
A promessa inclui ainda a vitória sobre a segunda morte. Em Apocalipse, essa expressão está relacionada à condenação definitiva, apresentada posteriormente no capítulo 20. Jesus assegura que aqueles que pertencem a Ele não sofrerão essa condenação.
Isso muda nossa maneira de enxergar a vida. O sofrimento pode atingir nosso corpo, nossos recursos e nossas circunstâncias, mas não pode destruir a esperança eterna daqueles que pertencem a Cristo.
O apóstolo Paulo compreendeu essa realidade. Em 2Timóteo 4.6–8, ao aproximar-se do final da vida, ele descreve sua caminhada como alguém que completou uma carreira, combateu o bom combate e guardou a fé. O que dava sentido à sua história não era a ausência de dificuldades, mas a certeza de que havia permanecido fiel ao Senhor.
Um dia, nossa caminhada também terminará. Não estaremos mais preocupados com as responsabilidades que hoje ocupam nossa agenda. As conquistas materiais perderão sua importância, e muitos dos problemas que parecem enormes deixarão de existir. Naquele momento, o que realmente terá valido a pena?
A maior vitória da nossa existência não será terminar a caminhada sem dificuldades, mas terminá-la pertencendo a Jesus Cristo.
A RESPOSTA QUE ENCONTRAREMOS NA LINHA DE CHEGADA
Estamos vivendo hoje de uma maneira que nos permitirá chegar ao final da caminhada com a convicção de que valeu a pena?
Talvez alguns precisem recuperar o primeiro amor. Outros precisam reorganizar suas prioridades. Há pessoas que precisam abandonar a indiferença espiritual. E há aqueles que estão cansados, enfrentando lutas que parecem não terminar.
Para todos nós, a mensagem de Esmirna oferece a mesma esperança: Jesus conhece nossa caminhada e promete a vida eterna àqueles que permanecem nele.
Voltando à ilustração inicial, todo corredor sabe que uma prova não é definida apenas pelos quilômetros mais difíceis. O que dá sentido à caminhada é chegar ao destino. E, na vida cristã, nosso destino não é simplesmente alcançar o fim de uma jornada terrena, mas viver eternamente na presença do Senhor.
É claro que nem todas as nossas perguntas serão respondidas nesta vida. Alguns sonhos talvez não se realizem. Algumas perdas continuarão difíceis de compreender. Mas nossa esperança não depende de encontrarmos todas as respostas aqui.
Nossa esperança está naquele que é o Primeiro e o Último, aquele que esteve morto, mas agora vive. Quando finalmente estivermos diante de Jesus, compreenderemos plenamente aquilo que hoje conhecemos pela fé.
No final, não é apenas o que fizemos por Jesus que faz nossa vida valer a pena. É aquilo que Jesus fez por nós que dá sentido a toda a nossa história. E é por isso que podemos terminar esta série com uma convicção que ultrapassa nossas circunstâncias: VALEU A PENA!
Valeu a pena!
É aquilo que Jesus fez por nós que dá sentido a toda a nossa história.
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